O dia comecou cedo. Acordei ao primeiro som do despertador, calma, já tinha deixado tudo preparado de véspera. Tomei o último banhinho quente das próximas semanas... vai estar calor Rita, nem vais notar, é um país tropical. Despedi-me da Cuca e do Lucky... e trouxe o olhar deles no meu. Nao vou sozinha, pensei. Mochila às costas, a cidade do Porto choraminga na minha partida, bela despedida. Aeroporto... o beijo, o abraco quente, o sorriso terno e mais um olhar roubado, trouxe-o comigo. Nao vou sozinha. Os olhos húmidos, esses ninguém os viu. O soluco calado, esse ninguém o ouviu. Trouxe-o comigo.
Vôo atrasado uma hora... bonito, vou mesmo ficar sem mochila! Aguardo pacientemente, afinal é suposto ser uma pausa relaxante nesta rotina que é a vida, nao vou stressar já. Perna cruzada, O Público na mao, ninguém me segura. O vôo corria sem incidentes até comecarem a servir o "desayuno", peco delicadamente café, e a hospedeira diz-me, qual cena digna do Aeroplano, que nao há café! Bom, aí comecei-me a passar. Aterramos em Barajas, Madrid, tinha 15 minutos para apanhar o aviao para S. José, nao fazia ideia onde era o terminal, nao havia uma alma da Iberia para dar informacoes. Consegui furar até ao balcao das informacoes e saber o que queria. Sempre em frente, desce um elevador, apanha o metro e depois sobe outro elevador e anda mais uns minutos e é lá... isto tudo em 15 minutos! Mariana, agora sim percebo o que querias dizer com vôo corrido... o que eu corri por aquele aeroporto fora! As únicas paragens que fiz foi para confirmar que ia na direccao certa. "Chica, vas ter que correr mucho!" Que animador, só pensava em torcer o pescoco à "chica" da Iberia que me fosse dizer que nao tinha apanhado o aviao. Felizmente, um mal nunca vem só, e a Iberia é incompetente ao ponto de ter todos os avioes atrasados. Ora, o meu vôo estava atrasado 45 minutos, a minha correria tinha sido em vao. Acabamos por partir uma hora e um quarto depois do previsto. Sentei-me e tentei relaxar... O vôo durou 10 horas, passei fome e enjoei nos últimos 45 minutos. Pronto, aterramos, está feito, já nada pode correr mal.
A mochila chegou, nem 3 minutos esperei, está a correr bem de facto. Passo pelo controlo de passaportes, mais um controle da bagagem, nothing to declare e pronto, vamos lá procurar uma placa com os dizeres que me identificam. De óculos, olhos a piscar, mas de placa com o meu nome nem sinal. Ai o carago! Vou olhar outra vez... dezenas de taxistas a abordarem toda a gente, a mim inclusivé, até que um mais simpático e com vontade de ajudar pergunta se procuro alguém. E eu lá lhe disse que sim, que procurava tal tal, que ia ficar no Hostel Pangea. E ele disse, eu trabalho para esse Hostel e mandaram-me vir buscar uma pessoa... falei com a recepcao do Hostel e de facto o meu nome estava já marcado como hóspede. Muito bem, vamos lá. E assim foi, tudo certinho, o meu coordenador estava lá à minha espera. Cheguei cansada como tudo, com dores de cabeca, só queria dormir... mas ainda eram 5 horas da tarde em S. José, muito barulho nos corredores, pessoas a entrar e a sair da camarata... adormeci por voltas das sete, embora nao tivesse sido um sono sem interrupcoes soube muito bem. Claro que acordei de madrugada... eram 4 da manha locais e eu já desperta. Deixei-me a ronronar na cama, que bom.