Ai que Rica Costa!

Saturday, December 16, 2006

Insónia


Uma da manha. Estou a tentar adormecer há duas horas. Tenho taquicardia, sinto cada batimento como se fosse o último. Os olhos nao se fecham, teimam em estar abertos, a olhar para a cama por cima de mim. Viro para um lado, aconchego a almofada, tento nao pensar em nada. Nada. O sono nao vem. Tento a música. Nada. Ansiedade de voltar a casa. Quero ver olhares conhecidos e sentir-me em casa. Tenho saudades do mar de inverno em Espinho, rebelde, agreste. Tenho saudades das ruas estreitas do Porto. Saudades de falar português. Saudades de ter uma refeicao que nao inclua arroz e feijoes. Saudades do Pipa Velha e do Mercedes. Saudades do FCP. Saudades dos meus. Saudades dos meus caes...

Hoje perdi um amigo. A morte levou-o, sem me deixar despedir dele, e isso dói muito. Dói nao ter estado lá, quando ele precisou de mim. Dói nao ter apoiado quem mais o queria e acompanhou na última etapa. Fecho os meus olhos e vejo os dele. Castanho amendoado, doces... como só um cao pode ter. Lucky, tenho saudades tuas. Eu sei, estavas velhote, mas nao devias ter ido assim. Mas agora que foste, e já nao vais voltar, toma conta do Bones e do Tealk, já estao aí há um tempito, diz-lhes que tenho saudades deles, muitas. Diz ao Bones que sinto falta da cauda dele a abanar pela casa toda, da felicidade que ele espalhava por todo o lado. E ao Tealk, faz-lhe umas festas na barriga como ele gostava. Deve estar com o pêlo enorme... E o meu Snoopy. Nao o conheceste, ainda nao tinhas nascido. O meu primeiro cao. Rafeirito como tu, baixote, esperto q.b.. Nao deixava que ninguém nos levantasse a mao, a mim e ao meu irmao. Quem o fizesse, arriscava-se a uma bela duma ferradela e uma ida ao alfaiate para consertar as calcas. Nem mesmo o nosso pai... Morreu velhote como tu... Agora que penso bem, acho que sempre me fizeste lembrar o Snoopy, embora um pouquito mais alto e amarelo em vez de chocolate. Nao te preocupes se me vires chorar Lucky, sao lágrimas de felicidade por te ter conhecido, por termos partilhado tantos e bons momentos. E vou chorar muito, Lucky. Vou sentir a casa mais vazia. É a vida, a nossa e a dos caes.
Beijos

3 Comments:

At 1:23 PM, December 17, 2006, Anonymous Anonymous said...

Ora viva!

Mais uma saborosa prosa cujas palavras mastiguei com gosto.Devagar.Então a lembrança do Bones distendeu-me os lábios num sorriso de saudade que quero transformada na alegria de o ter ter acariciado muitas e boas vezes.

Deixa-me apenas dizer-te que o Snoopy - pequeno, baixote, mas da raça do caraças -, não foi o teu primeiro cão.

Tenho que fazer justiça, aqui e agora, à Cornélia, toda negrinha, que foi, de facto, o teu primeiro cão, e que foi cedida ao Camilo. Só depois veio o Snoopy que a Lita,mantinha na casa banho do seu salão de cabeleireiro.

Passado o Snoopy, e rebocado por ti surgiu o Bangú,já lá vão para aí 11,12 anos,depois a Elsa, o Tealk,os filhos da Elsa - Bones, Matilde e Pipa -, a Carlota e a Cuca, que fez companhia ao malogrado Lucky ainda durante uns mesitos.

Bom! Isto só para repor a verdade dos factos a que os animais têm direito.

De resto já cá estás e isso agora é que interessa!

Bj

 
At 3:50 PM, December 17, 2006, Anonymous Anonymous said...

Tinhas de me fazer chorar...
Lucky, dá um beijo meu à Nany, o gremlin mais lindo k já existiu e ao meu patusco de olhos verdes, o Tomás...
Sheila

 
At 2:57 AM, December 18, 2006, Anonymous Anonymous said...

Já sabes que só li isto agora e cheia de lágrimas nos olhos, pelo Lucky, pelos meus peludinhos que também já foram, por ti, porque não gosto de te saber triste. Fico triste também. Se te dói, dói a mim também. Tenho dito.

 

Post a Comment

<< Home