Ai que Rica Costa!

Friday, November 17, 2006

Las Helicónias - Bijagua

Cheguei ontem a Bijagua, eram quase duas e meia da tarde. Depois de mais de 4 horas de curvas e contracurvas, alguns buracos e lama, alguns nós no estômago, arribei. Tinha pedido ao motorista para me avisar quando chegassemos, porque aqui nao ha placas a indicar nada, as localidades seguem-se umas atrás das outras, todas iguais a olhos estrangeiros, e eu seguramente ia passar sem dar por isso. Muchacha, Bijagua! diz o motorista, muchas gracias! digo eu, com mucho gusto! diz novamente o motorista com um sorriso simpático. Tal como me tinham dito estava um taxi à minha espera na paragem em frente ao Banco Nacional, ajudou-me com os tarecos e lá fomos nós por ali acima. Já nao andava num táxi tao velho desde a viagem a Cuba... estava a ver que tinha que empurrar o táxi por a estrada acima. Bem, mas lá chegamos. Las Helicónias é um Albergue de ecoturismo, situado a setecentos e pouco metros de altitude, entre o Vulcao Miravalles e o Vulcao Tenório, com vista para o Lago da Nicarágua. No coracao de uma floresta que faz a transicao de "rainforest" e "cloudforest". É uma eco-cooperativa fundada por locais, por Ticos, os turistas aqui nao podem esperar muitos luxos, é tudo muito simples mas limpinho. Eu, como tenho mais sorte que juízo, estou alojada num dos quartos de hóspedes porque a casa dos voluntários está cheia. Tenho água morna, yupiiiiii! Para além de mim, estao ca mais 5 voluntários que estiveram comigo em Punta Mala, o que é muito bom. E depois há os voluntários Ticos, que ainda sao uns 6, incluindo a Kimberly, que está aqui comigo e faz anos no mesmo dia que eu, e os trabalhadores Ticos, que sao uns 5.

Ontem quando cheguei estavam a meio da aula de inglês, 20 criancas de Bijagua vem todas as quintas e sábados para aprender um pouco de inglês. E agora um àparte, os Ticos falam inglês muito bem, sem aquele sotaque horrível que os espanhóis teimam em manter e que torna uma missao impossível perceber alguma coisa. O jantar é servido às 19 horas, como é costume por aqui, e depois temos que ocupar o nosso tempo porque nao há TV. No problema. Música, bailarico, cerveja e guaro (que é a bebida típica da Costa Rica, uma coisa tipo... humm... cachaca).

Hoje, como sempre, acordei às 4 da manha, já tenho o chip para essa hora, nao há hipótese. Fiquei na cama a dormitar até serem horas decentes para me levantar e tomar o desayuno. Gallo pinto, ou seja, arroz com feijao, e panquecas. O pequeno-almoco típico da Costa Rica e o que eu vou ter enquanto estiver aqui. As panquecas ainda vá que nao vá, mas arroz e feijao ao pequeno-almoco?? Jasus... Sheiloca, para responder à tua pergunta, siiiiiiim, já engordei sim senhor, mas algo me diz que se os dias aqui forem sempre como o de hoje bem que vou ao sítio. E saio daqui que nem um Silvester Stalone. Andamos a carregar sacos de serrim por os senderos acima, sim, sempre a subir!, por vezes debaixo de chuva. Nunca estive tao imunda em toda a minha vida. E bichos só vi escorpioes, cobras, formigas do tamanho de gatos (vi as famosas formigas-bala, que, diz quem foi picado, dói como se fosse um tiro), tarântulas (lembrei-me de ti Mariana...) e aranhas de todos os tipos, lagartos e mais lagartos, mas nada de bichos lindos, de quatro patas e com pelinho... Bem, ainda foi o primeiro dia, pode ser que tenha mais sorte nos próximos.

Hoje vai haver festa, espero que nao teimem em me ensinar a bailar porque eu nao tenho jeitinho nenhum para isto! Sou portuguesa, nao sou brasileira! Acho que vou ficar pela cerveja e pelo guaro...

Pura Vida!

Rita

14 Comments:

At 4:50 PM, November 19, 2006, Anonymous Anonymous said...

Gosto do teu blogue. Da sensação de evasão que as tuas palavras me trazem e me deixam. Cada imagem descrita, cada momento contado prende, na evocação de uma partilha de sentimentos únicos, como um sonho que desperta um hipotético e quase ridículo saudosismo do que não conheço. Deixa-me a pensar e divago... divago... o que é que nós procuramos ? O sucesso? O amor? A glória? O dinheiro? A paz? A tranquilidade?... Passamos a vida inteira por este mundo fora à procura de algo, de alguém. Muitas das vezes não sabemos quem ou o quê. Nem porque razão ou como o fazemos, mas a verdade é que procuramos. Sempre e sempre, procuramos, mesmo inconscientemente, buscamos.
A vida, tal como a conhecemos, é passada num ápice de correrias dividido entre solicitações, obrigações e compromissos. E por entre essa solidão moderna de cimento esquecemo-nos de nós próprios, dissolvidos que estamos nas preocupações e divagações efémeras dos outros. A procura dilui-se no quotidiano das atribulações e rotinas sem as quais, para a sanidade da nossa mente, julgamos já não poder passar. Contra essa acomodação geral me revolto, mas que de verdadeiramente suficiente faço? Pouco, creio eu... E então surgem relatos como os teus. Empolgantes, cativantes, verdadeiros, apaixonados e apaixonantes porque genuínos na sua singularidade única. Devolvem com essa beleza a esperança por momentos esquecida. Fazem-me acreditar...
A realidade é sempre mais bela que o mito.
Pelo que escreves, transmites e pelo que és.
Gosto do teu blogue.

 
At 6:40 AM, November 20, 2006, Anonymous Anonymous said...

FEEAAAAAAAAAAAARRRRRRRRRR das tarantulas!!!

 
At 4:30 PM, November 20, 2006, Anonymous Anonymous said...

Ò Rita,das saborosas reacções que os teus "posts" têm suscitado,devo dizer-te, que esta última anónima me deixou pendurado.Pela luxuriante riqueza de sentimentos expostos.Em paleta salpicada de matizes colhidos em godés de corações turbulentos.Que a fé acarinha.E mantém.Em renovada prova de sobrevivência.Ao mito.
Bj e continua a escrever!

 
At 1:43 AM, November 21, 2006, Anonymous Anonymous said...

Ó Charlotte... espero bem que estejas a escrever um livro, ou que o escrevas quando voltares. Não há um post de que goste menos, estão todos carregados de vida! :)

Beijinhos,
TRamires

 
At 6:13 AM, November 22, 2006, Anonymous Anonymous said...

E por falar em escorpiões..hum...

Aiiiiiiiiiiiiiiiiii, tarântulas! E dizes tu que não encontraste bichinhos com pelinho...d*sse!

Desculpa, Las Heliquê?...isso rima com...nada, penso eu de que. Já agora, porque é que toda a gente faz anos no mesmo dia que tu?

E não percebo porque é que o teu pai não diz nada dos meus posts. Isto é poesia, bolas. É arte, porra!

 
At 11:36 AM, November 22, 2006, Anonymous Anonymous said...

Ói Mariana!

Poesia!Arte! O que são senão meras palavras que adornam silêncios, debruam mágoas,enchem espaços e choram o tempo? O tempo que nos abraça,que nos pega a alma.Nos espaços onde as mágoas curtem os silêncios da ausência de um corpo.Vivo.Que mexe.Que ama,grita e se irrita.Que geme,cai e se levanta.Vai e vem no movimento eterno da vida que se renova.É isto a arte.É isto a poesia de que tu és um exemplo
acabado.Palavras...? Deixa-as...! Não passam de balbucios da vida que trazes a gritar-te nas veias.Tu como nós.

Bj

 
At 1:40 AM, November 23, 2006, Anonymous Anonymous said...

Assim está melhor, ao menos já me disse alguma coisa ;)

 
At 11:56 AM, November 23, 2006, Anonymous Anonymous said...

Raios te partam filho de um corno.Então foste tu que nascido de uma das presas de teu pai na helénica pórfira te alambuzaste com os detritos melados provenientes da desconstrução órfica em Eléusis.e que dizonho, sempre te arremessas fusiforme contra nós em velocidade apropinquativa do que nos cocega os pavilhões.És mesmo aquilo que eu chamo de filho da puta militante.Que depois de te colocares em não sentido sentidamente te deslargas na filhadaputice que alimentas a biberão desta conformidade em que estamos atolados.Não te ponhas fino não.ainda vais é militar para quem te pariu.ai vais vais....

 
At 12:05 PM, November 23, 2006, Anonymous Anonymous said...

a quem interessar.

o último comment não se refere a ninguém que por aqui anda.nem tão pouco a ninguém em particular.é apenas a transcrição do que me vai nesta cabeça povoada de disparates..

 
At 1:32 PM, November 23, 2006, Anonymous Anonymous said...

bebe àgua;)

 
At 11:36 AM, November 25, 2006, Anonymous Anonymous said...

Não sei se me prenda nos teus emotivos relatos, se na prosa desencadeada pelos teus amigos. Há algo de comum nos textos. Todos procuram a busca de uma identidade. A natureza contra o cimento, a estrada sinuosa contra a auto-estrada, o céu estrelado contra o cinzento das nuvens, os rostos singelos contra os esteriotipádos, o ser contra o ter. Tudo isto toma uma dimensão anormal quando nos confrontamos com um mundo diferente que nos abraça e acarinha. Mas continuo a pensar que a busca não está no exterior. A busca está em nós. Sabemos muito pouco de nós.

Beijinhos de José Ventura

 
At 10:34 AM, November 27, 2006, Anonymous Anonymous said...

Tão pouco sabemos de nós,que de nós até medo temos.E abrimos os braços, coração e mente em total entrega ao Outro.Em verdadeira fuga para a frente.De que só temos consciência quando ao tropeçarmos olhamos o passado, o atrás de nós,ali presente de olhos no chão,à espera. À espera que nos devolvamos a mente e o coração.Que são só nossos.Os braços esses, poderão continuar a abraçar.Contanto que regressem de vez em quando, para ajudar a ultrapassar o medo que nos tolhe a esperança.Num mega abraço dos biliões de diferenças,únicas, irrepetíveis, magníficas das humanas circunstâncias ao devir.E em turbilhão.A caminho do SER.

1- O estranho; o exterior; o mundo; o fora de nós.

Cumprimentos.

 
At 10:40 AM, November 27, 2006, Anonymous Anonymous said...

A nota de rodapé assinalada pelo número 1 no comentário anterior não faz parte do mesmo.Trata-se de uma colagem que me fez trocar os dedos...! desculpem!

 
At 11:39 AM, November 27, 2006, Anonymous Anonymous said...

água? e os disparates? dissolvem-se? ganham raízes? ou compras-mos...!?

 

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