Ai que Rica Costa!

Thursday, September 28, 2006

Las Tortugas

Foto de Ursula Keuper-Bennett


As tartarugas marinhas são animais extraordinários. Desde o dia em que entram pelo mar adentro em bébés, viajam incansavelmente pelos oceanos deste mundo e regressam sempre à praia onde nasceram para proceder ao início de mais um ciclo... a desova. Existem há vários milhões de anos no planeta (a Leatherback Turtle, ou Baula Turtle, é mesmo um dos répteis mais antigos que ainda andam entre nós, sendo mesmo comparável a um dinossauro...) mas nunca se sentiram tão ameaçadas como nos últimos 100 anos, quando as actividades humanas começaram a ameaçar o frágil equilíbrio da natureza. O aumento da actividade piscatória, o desenvolvimento desenfreado das zonas costeiras, a poluição dos oceanos e rios, o completo desrespeito pela natureza e seres vivos que partilham o planeta connosco, levou a que hoje em dia, ao invés de se verem milhares de tartarugas nas praias nas épocas da desova, se vejam apenas algumas dezenas, muitas delas feridas e em más condições de saúde.
Apesar de serem animais pré-históricos, muito há ainda para aprender e estudar acerca destes simpáticos e lendários animais. Sabe-se que os oceanos são necessários para a sua sobrevivência e que um bom habitat é imprescindível para elas procederem à desova.
As tartarugas bébés são as que mais estão em risco. Os ovos e os recém-nascidos estão muitas vezes à mercê de predadores como racoons (guaxinim) e gaivotas. E se agora temos tão poucas tartarugas que conseguem chegar à sua praia para desovar, torna-se imperioso preservar os poucos ovos que existem. Em algumas praias e reservas naturais são usadas jaulas de metal para proteger os ovos enquanto estão a ser incubados nos ninhos.
A grande maioria das tartarugas nasce durante a noite. Se a praia estiver iluminada artificialmente, elas ficam desorientadas e podem correr em direcção à luz em vez de correrem para o mar... se isto acontecer podem morrer de desidratação, mais facilmente são apanhadas por predadores, e podem mesmo ser atropeladas se forem para ruas ou parques. Por isso é importante preservar certas praias e neste momento está a ser feito um esforço em vários países, incluindo a Costa Rica, para travar o crescimento de resorts em áreas protegidas, apostando simultaneamente na educação ecológica da população local.
Como é que podemos ajudar deste lado do oceano Atlântico? Não poluir não poluir não poluir... o mar e rios. Respeitar respeitar respeitar... a natureza. Muitas tartarugas morrem ao ingerirem sacos plásticos que andam à deriva no mar, confundindo-os com medusas, que fazem parte integrante da alimentação destes animais. Não comprar, nem de alguma forma contribuir para o comércio de produtos e "recuerdos" feitos à custa da morte e sofrimento animal. Educar as gerações vindouras sobre a importância do respeito pela natureza e seus recursos. É este o caminho.
Espero conseguir fazer a diferença e conseguir salvar pelo menos uma tartaruga.
Beijinhos e até já

6 Comments:

At 9:59 AM, September 30, 2006, Anonymous Anonymous said...

Pois é! O plástico invadiu a vida moderna.E ele é tanto que, a continuarmos assim, depressa sob ele submergiremos mai-la a nossa tão celebrada civilização.

A realidade da tartaruga que come " medusas " de plástico é um exemplo -triste- de como está a saúde deste planeta azul.

A inteligência, digamos,biológica dos animais já não os defende do meio que a irracionalidade da razão tem, infeliz e irreversivelmente alterado para pior.

Encontram-se assim ao sabor das "nossas" prioridades que, mais uma vez, infelizmente, não passam pela preservação da biodiversidade, como fundamento para uma humanidade menos hostil para com a natureza.

Consulte-se a agenda de " Bush", cuja nação sózinha é responsável pela libertação de 3o% do dióxido de carbono na atmosfera, e verifique-se a sua preocupação para com o ambiente.

É assim, neste quadro, que iniciativas destas têm, forçosamente de ser levadas a sério.

Para além da satisfação.Para lá do gozo.Para adiante da aventura.

Mais como denúncia:Do crime
Mais como exemplo:De acção.

E, sobretudo, como facho de uma razão esclarecida, actuante, e exigente.

Obrigado, Rita!

Bj

 
At 10:36 PM, September 30, 2006, Anonymous Anonymous said...

Era uma vez uma tartaruga… banhada na protecção do seu invólucro maternal, desperta lentamente para uma nova existência. A pouco e pouco, com o seu tenro mas já forte bico, quebra as paredes do casulo que até então fora seu berço e única realidade. Sem saber porquê abre veementemente caminho pela imensidão de areia que a cobre, animada pelo instinto milenar de gerações e gerações das suas que antes dela pisaram este mesmo trilho, no início de mais um ciclo de preponderante existência.

O ar fresco da noite, até então desconhecido, não a afasta, irredutível, do chamamento que a anima. Algo lhe diz para seguir a luz mais brilhante que encontrar, como o fiel à luz divina em busca da terra prometida – e ela o faz; de uma força maior que aquela que a sua frágil figura parece poder conter. Os potentes focos luminosos capturam toda a sua atenção, hipnotizando-a por completo na tentação de um chamamento que parece ser o seu. Nesse instante algo de novo a envolve, uma textura nova, não desagradável mas diferente. A levitação imediata dos sentidos leva a uma súbita e desmesurada descarga de impulsos que a atordoam mas não inibem no seu propósito.

Rapidamente se encontra de novo no seu caminho, ao encontro de um destino já há muito traçado e do qual não se pode desviar. O primeiro contacto com a refrescante água do mar sabe a recompensa merecida pelo esforço despendido. Vai desaparecendo gradualmente, cada vez mais imersa pelas ondas que a acolhem como uma das suas, ignorante que anos mais tarde voltará a essa mesma praia para na sua areia deixar os seus ovos, como sua mãe fez antes dela e a mãe de sua mãe ainda antes; alheia ao olhar que carinhosamente a segue depois de a ter colocado no bom caminho.
E nessa praia uma menina sorri...

Faz boa viagem Rita! Vais ADORAR!!!

 
At 3:31 AM, October 01, 2006, Anonymous Anonymous said...

...com a certeza da fundamentalidade do gesto, recuperador de vidas em perda e redentor do seu olhar sobre um mundo que não tem de ser o que é: uma choldra.

Sorri a menina porque dos seus dedos sentiu um fio tão invisível como real, que diligente se grudou na jovem carapaça mesmo antes de se ter deixado banhar pelo oceano.

Um fio forjado no conluio com o precário, com a noite, testemunha do maior espectáculo da terra: segurar uma vida em agonia.Senti-la em mãos.Em estertor.Resgatá-la à morte.Ao fim.Do princípio.Que não viveu.

Um fio que soldado no coração e apadrinhado pela razão não mais rebentará.

Um fio que em ti, em nós se quer grudar.Também.

Para que não seja só a menina sorrir.

 
At 11:12 AM, October 01, 2006, Anonymous Anonymous said...

E a menina partiu.Deixou-nos.Debaixo da bruma da cidade.Que esconde lágrimas.Sobressalta corações.Entorpece gestos.Encarece beijos.Deixa-nos moles.A ver.A olhar.A sentir.Já da saudade a força.Mais do amor a certeza.

Boa viagem!

Bj

 
At 4:55 AM, October 02, 2006, Anonymous Anonymous said...

Avante, minha menina, muita sorte e dê asas ao prazer."

"A Lei do Amor"
Laura Esquível


Que saudades já tenho da minha Rita..
Bj

 
At 10:56 AM, October 13, 2006, Blogger Pierrot said...

E vais conseguir, de certeza.
Não te esqueças de falar em espanhol com elas, pois para além dos animais gostarem que falem com eles, convem que eles percebam né!
Bjos daqui
Eugénio

 

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