Ai que Rica Costa!

Tuesday, September 26, 2006

PORQUE NASCEU ESTE BLOG

A vontade de fazer voluntariado vem já de há alguns anos atrás. Na altura sonhava em ir para África, Angola ou Moçambique, e trabalhar essencialmente com crianças. Fazer tudo o que estivesse ao meu alcance, dar tudo aquilo que pudesse e soubesse. Tudo para as fazer sentir crianças, tentar ser uma gota de alegria e luz naquele oceano de miséria e morte. Arrancar um sorriso de uma delas, sentir o seu abraço sôfrego de calor humano, faria toda a minha vida ganhar um sentido.

O tempo foi passando, a oportunidade não surgiu, mas a vontade, essa, não esmoreceu. Em Abril deste ano comecei a pesquisar mais activamente na internet, apareceram muitas coisas interessantes e em áreas que eu gostava, mas eu não reunia as habilitações necessárias, precisavam de médicos e enfermeiros em todo o lado, mas veterinários... nem por isso. Mais uma vez me questionei acerca das minhas opções passadas... se fosse médica talvez tudo fosse muito mais fácil. Mas não desisti. Continuei a minha pesquisa internáutica e encontrei uns sites muito interessantes, com projectos ligados à Conservação da Natureza e Ecossistemas em perigo. Todos tinham a minha cara, tudo a ver comigo, pensei. A possibilidade de trabalhar com algumas espécies de animais selvagens e em extinção, ter o privilégio de privar de perto com alguns destes bichos, dar o meu contributo para a conservação do planeta e seus recursos naturais... a ideia começou a ganhar forma, o entusiasmo a crescer. A minha veia sagitariana de caixeiro-viajante começou a fervilhar, já me via de mochila às costas por esse mundo fora. A minha escolha recaiu num projecto de recuperação de tartarugas marinhas na Costa Rica. Quer pelo animal simpático que é a tartaruga, quer pelo rápido declínio nos números da população nos últmos 10 anos, devido ao aumento do turismo na região e ao roubo dos ovos das tartarugas por parte de alguns locais para posterior venda... Outro grande atractivo neste projecto é, sem dúvida, o facto de ser na Costa Rica, esse paraíso do agora tão aclamado Eco-turismo.


O voluntariado não é uma acção unidireccional. Ambos os lados ficam a ganhar, é esse o objectivo. Enriquecer a vida das duas partes envolvidas, ambos recebem e ambos dão.

O objectivo nesta viagem é juntar o útil ao agradável. Quero muito ajudar as tartarugas, quero muito trabalhar com elas, senti-las, pegar-lhes, libertá-las no mar... acho que vai ser mágico. E divertido. E sim, quero muito conhecer a Costa Rica, ter a oportunidade de passar lá umas semanas, sentir e conhecer uma cultura e um povo diferente, aprender diferentes formas de estar na vida, crescer como pessoa... vai ser uma experiência inolvidável, maravilhosa!

E pronto, este blog nasceu para manter o cordão umbilical convosco, para vos manter a par das minhas aventuras, para matar as saudades da terrinha. Para nos divertir-mos um pouco. O título foi ideia da Mariana... só podia!

Fiquem comigo...


16 Comments:

At 2:46 PM, September 26, 2006, Anonymous Anonymous said...

O cordão umbilical já foi cortado há quase 30 anos,Rita.

Precisamente para dar lugar à concretização do sonho.Eu.Que decido.Que faço.Que sonho.Comigo.Ali ou acolá.Da forma que entender e com quem,com o que quiser.Independente de quaisquer atilhos orgânicos.

O que abre espaço à aventura psicológica.Onde cabem sentimentos de ganho,de perda, de pertença,de alegria e liberdade. De responsabilidade também.Para com o Outro.O mundo.O das tartarugas.O teu.O meu.O nosso mundo.

Que temos deixado sumir-se por entre as pontas dos dedos da mais deslavada e estupidamente celebrada vitória da cultura sobre a natureza.Como se esta se dignasse terçar armas connosco.

E eis que as consequências se apresentam aí como evidentes.Aos continuados ataques que temos desferido contra a natureza somos rechaçados com problemas nunca imaginados.

E à medida que julgámos que os debelámos mais subtil se mostra a natureza nos contra ataques.Com pandemias as mais virulentas, com catástrofes as mais devastadoras,com estados de espírito os mais horríveis...!

Quem é que ainda acha que temos que dominar a natureza? Ao invés de a estudar para melhor com ela colaborar? Como tu vais fazer!

Olha, desculpa lá...mas deu-me para isto!

Deixa-me só dizer-te que " divertir -mos " é erro. O correcto é " divertirmos ". E é assim porque " -mos " não é pronome. É sim a desinência da 3ª pessoa do plural do verbo divertir. Tá?

Bj

 
At 3:56 PM, September 26, 2006, Anonymous Anonymous said...

Ó Mariana, então tu que botaste o nome na coisa, não escvreves nada...!É só botar nomes..!?
Vá, lá! Escreve qualquer coisa quanto mais não seja para sabermos que também tás aqui!! " Ca gente ".

Bj

 
At 3:56 AM, September 27, 2006, Anonymous Anonymous said...

Traz-me uma pedrinha, regada a aconchego, baptizada num mar qualquer, com sorrisos nos entre tantos...
Fica bem, Rita...

 
At 4:54 AM, September 27, 2006, Anonymous Anonymous said...

Faster then a speeding...turtle!? Even greater then itself.

It's Rita Pita Hot P.

Take care my friend. The World it's a better place because of you... and me... and other few million people... whatever... What's matter is that, you are The One, and only, RPHP, and i'm proud to ever met you.

Raika

 
At 5:50 AM, September 27, 2006, Anonymous Anonymous said...

Isto vai dar para o torto, porque vou roubar o protagonismo das rastejantes com os meus comentários avant garde, claro está. Sinto-me parte culpada, parte orgulhosa de ter tido dedo nisto. Sim...sim...também fui eu que lhe dei o empurrãozinho que faltava. Quando ela aparecer nas notícias amarrada à proa de algum navio da Greenpeace só em cuecas, não vou poder fugir às responsabilidades. Guedes, D. Rita, desde já as minhas desculpas.
Quanto a ti, Indiana Martins, já sabes que me meto numa canoa das excursões Rilhão, atravesso Atlântico, desbravo selva à catanada se precisares de mim do outro lado do continente amaricado, perdão, americano.
E não, Rita, as tuas malas NÂO se vão perder!Podes é chegar primeiro do que elas.3 meses. :)

Beijos de boa sorte para um trabalho fantástico e diverte-te muito. E nunca te esqueças disto, podes precisar: gajas boas é em Ermesinde!

 
At 6:08 AM, September 27, 2006, Anonymous Anonymous said...

Rita,
that´s the spirit, my dear friend!

É exceleeeente ver-te tão animada com este projecto.
Aqui vamos estar todos roidinhos de inveja enfiados nas nossas vidinhas e cheios de curiosidade em ler as crónicas da tua aventura.

para já é um pequeno passo (de tartaruga), mas pode ser que se transforme num salto de gigante,

beijos de boa sorte,

 
At 6:35 AM, September 27, 2006, Blogger Fis said...

Vou seguir esta tua viagem de muito pertinho atraves deste blog :)

Beijinhos muito grandes e boa viagem

qualquer coisa que precises ja sabes ...:)


cris

 
At 1:01 PM, September 27, 2006, Anonymous Anonymous said...

se n vais fazer "as crianças sentirem-se crianças" n tenho duvidas q vais fazer as tartarugas sentirem-se tartarugas;p
Boa viagem amiga! vais deixar mtas saudades por ca por isso prometo ser uma leitora assídua do teu blog. BEIJO GRANDE

 
At 2:20 PM, September 27, 2006, Blogger Gonçalo Taipa Teixeira said...

Bem vinda à blogosfera, apesar da promessa de vida curta (do blogue, é claro). E boa sorte para o voluntariado, que me faz alguma inveja, confesso...

 
At 3:09 PM, September 27, 2006, Anonymous Anonymous said...

O Náufrago

Começa sempre pelos sons, os ruídos incongruentes, indecifráveis de início, parecem surgir de um fundo e longínquo túnel pertence de uma outra certeza que não a nossa. Juntam-se depois, mais perceptíveis, ao mundo dos sonhos que não sendo totalmente real também não deixa de o ser em parte. Uma mescla de nossas vivências sem a habitual organização de espaço e tempo. As sensações retomam, uma a uma, lentamente, não sei. A noção de tempo é ainda ténue, trémula da fragilidade vigente. Algo frio e húmido, não de todo desagradável, passa a intervalos regulares pela minha face e consigo sentir todo o seu gosto salgado forte. O imponente barulho de toda a sua movimentação faz então todo o sentido ao mesmo tempo que o assobio de uma brisa suave passeia por entre os meus ouvidos. Do canto do olho timidamente entreaberto, ainda sem a necessária hercúlea força para conseguir abrir totalmente a pálpebra, vejo, até onde me é possível ver, a junção do mar com a terra na forma de uma fina areia esbranquiçada. Consegue-se sentir no ar, levemente cortado pela presente maresia, o odor característico dos calores exóticos. A muito custo e de corpo dorido, fruto de alguma intempérie que não estou capaz de situar, levanto-me e diante de mim mostra-se um espectáculo por estes olhos nunca presenciados. Estou numa praia que se estende a perder de vista, deserta, tanto para um lado como para o outro e à minha frente, a poucos metros de distância a mais luxuriante vegetação que alguma vez vi eleva-se no ar, intransponível, como muralhas protectoras daquele pequeno canto de mundo.

A memória de como ali acabei falha-me e a desorientação inicial começa a dar lugar a um início de pânico sufocante. Trazido pela maré, um bocado de madeira partida embate-me na perna e reparo que ao longo da praia estão semelhantes restos, destroços do que outrora foi uma embarcação. E aí tudo se me volta, desorganizado e desordenado, recompondo em breves instantes a memória do vazio que a atormentou. O périplo da viagem, a tempestade no mar, as razões da partida... Porque tinha partido ele? Para viajar e descobrir o mundo, este novo mundo, pleno da oportunidades. Virgem ainda em muitas partes da corrupção social que atolava o “velho” continente – pensava ele na ingenuidade própria à sua juventude. Pelo menos era a versão oficial. No fundo da sua consciência interrogava-se se na realidade não estaria a fugir. De quê? De que fogem os homens? Por vezes nem eles próprios sabem, só fogem. Talvez tivesse partido para provar ao mundo que era o homem que julgava mas não se sentia ser. A paixão assoladora pode ser mais aterradora do que inspiradora. E num mundo onde tudo parece destinado à mais pacata das existências, sem que nada falte, a solidão agarra-se-nos ao âmago e floresce na carência que nos atola. Leva ainda a memória do que foi e entreviu num olhar que jamais esquecerá. O parco contacto que conheceu e lhe valeu de sua forma inspiradora por todos os outros anos da sua ainda jovem vida. Nada será igual. Talvez tivesse partido por querer ser o tudo que já foi e deixou de ser.

Creio que está na altura de explorar esta ilha. Ilha?! Ainda não saí da praia. Não sei se o é...

 
At 3:17 PM, September 27, 2006, Blogger Rita Martins said...

Obrigado M... gostei

 
At 10:37 AM, September 28, 2006, Anonymous Anonymous said...

pra ti um excerto adaptado de um poema meu:

"durante estes dias
olhas para a saída
que te dá acesso à entrada
na viagem que te espera.
olhas para as janelas... com esforço
tomas o lugar (desocupado), agora é tão mais(+) fácil
ver a paisagem a passar
e em cada nova arvore um novo ninho
e TU nele preparando-te para dar o teu 1º vôo..."

nós mantemo-nos neste ninho mas sempre à espera das tuas notícias...
fica bem amiga coragem
vais ver que passa a correr e vai ser optimo....
eu bem arrumadinho consigo caber na bagagem...
beijo grande

 
At 4:23 PM, September 28, 2006, Anonymous Anonymous said...

Ai Costa! Que estás a ficar cada vez mais Rica!

Vai a Rita pisar teu chão
Olhar teus filhos
saborear-te o pão
puxar-te os brilhos

Seu sorriso vais amar
sua alegria vais sentir
suas mãos experimentar
seu coração vais pedir

Mas Rica!
Não vale a pena o esforço
Sei como é difícil
e tartaruga não vale
como reforço

Parar Rita não gosta
gosta mesmo é de andar
por isso na tua costa
Rita não vai parar

Dizer-te adeus é certo
e voltar certo é
é que já estou deserto
e com saudade até.

 
At 2:43 PM, September 29, 2006, Blogger Rita Martins said...

Obrigado tio careca ;), estou certa que tu e o meu pai vão ser leitores assíduos... a reforma tem destas coisas boas!

Beijinhos

Rita

 
At 3:25 AM, October 03, 2006, Anonymous Anonymous said...

Já chegaste?
Beijinho
Diana

 
At 11:54 AM, October 03, 2006, Anonymous Anonymous said...

Sim, sim!
chegou
telefonou,
e logo logo
o sono
a tomou!

 

Post a Comment

<< Home